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quarta-feira, agosto 5, 2026

Julho Amarelo: Mais comum que as hepatites, gordura no fígado exige mudanças no estilo de vida, alerta especialista

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Este mês é marcado pela campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização, prevenção e combate às hepatites virais. Mas, além dessas doenças, especialistas aproveitam o período para alertar sobre outro problema que cresce de forma silenciosa entre os brasileiros: a esteatose hepática, popularmente conhecida como ‘gordura no fígado’.

Embora muitas pessoas associem alterações hepáticas apenas ao consumo exagerado de álcool ou às hepatites, atualmente o excesso de gordura corporal e o sedentarismo figuram entre as principais causas da esteatose não alcoólica (DHGNA), condição que pode evoluir para inflamação crônica, cirrose e até câncer de fígado quando não tratada.

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício com foco em emagrecimento, hipertrofia e adesão ao treinamento, o cuidado com o órgão começa muito antes de qualquer diagnóstico clínico.

Quando promovemos redução da gordura corporal preservando e aumentando a massa muscular, estamos oferecendo um dos tratamentos não medicamentosos mais eficazes para reduzir a gordura acumulada no fígado. Muitas pessoas treinam pensando apenas na balança, mas acabam protegendo um dos órgãos mais importantes do organismo“, explica.

Brasileiros desconhecem a doença

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em parceria com a Novo Nordisk, em 2025, revelou um cenário preocupante. Segundo o levantamento, 62% dos brasileiros afirmam que ficariam muito ou extremamente preocupados caso recebessem o diagnóstico de gordura no fígado. Apesar disso, 61% nunca realizaram exames específicos ou sequer sabem quais testes detectam a condição.

O estudo também mostra o avanço dos fatores de risco: atualmente, 66% da população brasileira apresenta sobrepeso ou obesidade, um crescimento de 11% em relação ao levantamento anterior. O excesso de peso é justamente o principal combustível para o desenvolvimento da esteatose.

De acordo com dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), vinculada ao Ministério da Saúde, atualizados em 2025, cerca de 60% dos casos deste agravo, do tipo não alcoólico, estão relacionados ao excesso de peso. Além da obesidade, sedentarismo, diabetes, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool aparecem entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Treino de força também protege o fígado

Embora caminhar e praticar atividades aeróbicas sejam importantes, pesquisas recentes mostram que a musculação também exerce papel decisivo na saúde hepática.

Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LaBMEx), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), demonstrou que camundongos obesos e diabéticos submetidos a apenas 15 dias de treinamento de força moderado reduziram entre 25% e 30% da gordura acumulada no fígado, quando comparados aos animais sedentários.

Segundo Jauan, que é personal trainer com mais de 10 anos de experiência, esse resultado reforça aquilo que já vem sendo observado na prática clínica:

A massa muscular funciona como um grande órgão metabólico. Quanto maior sua qualidade e funcionalidade, maior será a capacidade do organismo de utilizar gordura como fonte de energia e melhorar a sensibilidade à insulina. Por isso, o foco não deve ser simplesmente emagrecer, mas preservar músculo durante esse processo. Dietas muito restritivas e exercícios feitos sem orientação provocam perda muscular importante e comprometem os resultados no longo prazo“, ressalta o especialista.

Exercício deve ser individualizado

A recomendação também está presente nas diretrizes médicas, a exemplo da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), que orienta que pacientes com esteatose hepática realizem atividade aeróbica por, pelo menos, 30 minutos, cinco vezes por semana, associada à musculação pelo menos duas vezes por semana, como parte do tratamento da doença.

De acordo com o especialista, entretanto, copiar treinos prontos das redes sociais ou iniciar uma rotina intensa sem avaliação profissional pode produzir o efeito contrário ao esperado.

Cada organismo responde de uma maneira, já que pessoas com obesidade, diabetes, hipertensão ou outras doenças precisam de estratégias específicas. O exercício físico é extremamente poderoso, mas precisa ser prescrito como qualquer intervenção em saúde: considerando histórico, limitações, objetivos e evolução“, pontua.

Ao unir atividade física, alimentação adequada e acompanhamento multiprofissional, a prevenção da esteatose hepática torna-se mais eficiente, reduzindo o risco de complicações futuras e reforçando a importância de hábitos saudáveis como aliados permanentes da saúde.

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